Mobiliário Português

Andava há vários meses à procura de uma mesa de cabeceira para o meu quarto. Queria uma peça boa, estilo retro e que fosse de madeira, em vez desses aglomerados, plastificados, made in sabe-se lá onde e como. Seguindo um dos princípios da sustentabilidade, procurei primeiro uma peça vintage. Reutilizar ou comprar o que já está feito em vez de produzir mais objectos. Infelizmente, os preços eram demasiado altos para o meu budget, como normalmente são as peças vintage em bom estado ou recuperadas.

No meio do confinamento, sem poder ir vasculhar as lojas, lancei-me numa busca cibernáutica, cujos resultados normalmente me mostravam ou lojas muito caras, design XPTO, ou lojas muito baratas, tipo IKEA, o que, depois daquele episódio do serviço a cliente aqui relatado recentemente, não era uma opção. Continuei a procurar, até porque temos em Paços de Ferreira a capital do móvel e não me parecia possível que não houvesse uma única fábrica nacional a fazer peças com o design que eu procurava.

Estava quase a desistir, fui mais uma vez ao OLX à procura de uma peça vintage, até que encontrei a Baimabenda. Mesa de cabeceira estilo nórdico em madeira. Aos meus olhos revelou-se a imagem que eu tinha na cabeça com a vantagem de cumprir todos os requisitos que eu me tinha imposto: feito em Portugal, pequena empresa familiar, materiais nobres, preço muito justo.

Como cada peça é feita por encomenda, a entrega demorou cerca de seis semanas, o que pode não agradar a quem está habituado ao vai ao corredor 27, fila J e leva para casa, mas que permite uma optimização da produção e a personalização de cada peça que a Baimabenda faz, seja nas medidas, seja no tom da madeira ou acabamento pretendido. Mas hoje a minha mesa de cabeceira chegou e o resultado foi tão bom, que me impeliu a escrever este post.

Primeiro, vinha impecavelmente embalada. Depois, assim que a desembrulhei, o ar foi inundado com o cheiro da madeira maciça, carvalho, com aquele toque encerado dos móveis de casa dos avós. Um cheiro a verdadeiro, num mundo em que tudo cheira a falso e tem curto prazo de validade. Por último, só tive de enroscar os pés, em vez de passar uma hora a lutar com um livro de instruções pouco claro e com quinhentos parafusos que têm de ser colocados pela ordem certa, sem saltar um único passo, se não dá merda.

Acima de tudo fiquei feliz pelo “jovem casal empreendedor”, como se apresentam os criadores da Baimabenda, que em 2015 decidiram apostar neste projecto de mobiliário retro. Parabéns e obrigada por fazerem coisas bonitas e verdadeiras.

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