Adeus, ó vai-te embora!

(scroll down for english)

Após vários dias de incerteza, o pesadelo acabou. Donald Trump foi finalmente derrotado e, a partir do dia 20 de Janeiro de 2021, deixará de ser o presidente dos Estados Unidos. Passei grande parte desses dias pós-eleição colada à emissão da CNN e confesso que verti várias lágrimas ao ver as imagens de alegria dos americanos que celebravam nas ruas e, principalmente, ao ouvir o brilhante discurso de Kamala Harris. E pode parecer estranho que, numa altura em que há tantas coisas importantes a acontecerem no nosso país, eu esteja a falar de um problema que está do outro lado do Atlântico. Mas é precisamente por estarmos a viver um momento tão dramático que todos precisávamos de uma notícia como esta.

Podia enumerar as inúmeras vantagens do fim da presidência de Trump, a começar pelo facto de os EUA poderem regressar aos acordos climáticos internacionais, sob a liderança de alguém que não nega as alterações climáticas e a urgência da descarbonização e a acabar nos acordos comerciais com a União Europeia. Porém, este artigo, não tem que ver com política. Tem que ver com decência.

Donald Trump provoca-me asco. Não pelas suas ideologias políticas ou económicas. Como democrata que sou, sei respeitar visões diferentes das minhas. O que me provoca asco é a pessoa.

Independentemente da sua competência para o cargo (quanto a mim, inexistente), Trump é uma besta, no verdadeiro sentido da palavra. É o típico misógino que acha que pode assediar qualquer mulher e que basta acenar-lhe com dinheiro para a ter aos seus pés ou, não a tendo, para lhe pagar para que fique calada. É o típico racista, que nem disfarça o seu apoio aos supremacistas brancos. É o típico xenófobo, que não tem pudor em insultar um país inteiro (ou vários). É o típico ignorante, que não sabe nem quer aprender sobre qualquer assunto que não lhe interesse ou não lhe traga vantagem. É o típico mentiroso, que espalha mentiras à boca cheia, até estas tomarem uma aparência de verdade ou, pelo menos, instalarem a dúvida. É o típico novo-rico, bimbo e sem gosto, que ainda goza com quem lhe chama bimbo e sem gosto porque sabe que o dinheiro compra quase tudo, incluindo esposas top-models e pessoas para o bajularem. É o típico “bully”, que espalha rumores e insulta publicamente qualquer pessoa que lhe faça frente ou apresente um ponto de vista diferente do seu.

Numa altura em que o mundo precisa de se unir, seja na luta pela sobrevivência do planeta ou na luta contra a pandemia, precisamos de líderes. Sejam da esquerda, da direita, conservadores ou liberais. Donald Trump é tudo menos um líder. Nunca foi, nunca será. E aflige-me saber que para setenta milhões de americanos, a sua falta de carácter e de respeito por qualquer pessoa e instituição, o seu descaramento para mentir em qualquer circunstância sobre qualquer assunto, não foram minimamente relevantes para o sentido de voto. O que torna mais uma vez evidente que a estupidez humana é como o Universo: infinita e em expansão.

(cartoon de @PatChappatte)

BYE, BYE TRUMP!

After several days of uncertainty, the nightmare is over. Donald Trump was finally defeated and, from January 20, 2021, he will cease to be the President of the United States. I spent a large part of those post-election days glued to the CNN broadcast and I confess that I shed several tears when I saw the images of joyous Americans celebrating on the streets and, especially, listening to Kamala Harris' brilliant speech. And it may seem strange that, at a time when there are so many important things happening in our country, I am talking about a problem that is on the other side of the Atlantic. But precisely because we are experiencing such a dramatic moment, we need news like this.

 I could enumerate the countless advantages of the end of Trump's presidency, starting with the fact that the US can return to international climate agreements, under the leadership of someone who does not deny climate change and the urgency of decarbonization and ending in trade agreements with European Union. However, this article is not about politics. It's about decency. 

 Donald Trump disgusts me. Not because of his political or economic ideologies. As a believer in Democracy, I know how to respect different views from mine. What disgusts me is the person.

 Regardless of his competence for the position (as far as I am concerned, non-existent), Trump is a beast, in the true sense of the word. He is the typical misogynist who thinks that he can harass any woman and that he only has to wave with money to have her at his feet or, not having her, to pay for her silence. He is the typical racist, who does not even disguise his support for white supremacists. He is the typical xenophobe, who has no qualms about insulting an entire country (or several). He is the typical ignorant, who does not know or want to learn about any subject that does not interest him or bring him any advantage. He is the typical liar, who spreads lies with his mouth full, until they take on the appearance of truth or, at least, install doubt. He is the typical new rich, bimbo and tasteless, who still makes fun of those who call him bimbo and tasteless because he knows that money buys almost everything, including top-model wives and people to flatter him. He is the typical “bully”, who spreads rumors and publicly insults anyone who confronts him or presents a different point of view.

 At a time when the world needs to come together, whether in the struggle for the survival of the planet or in the fight against the pandemic, we need leaders. Whether from the left, right, conservative or liberal. Donald Trump is anything but a leader. He never was, he never will be. And it pains me to know that for seventy million Americans, his lack of character and of respect for any person or institution, his boldness to lie under any circumstances on any subject, were not at all relevant to the vote. What makes it evident once again that human stupidity is like the Universe: infinite and expanding.

5 thoughts on “Adeus, ó vai-te embora!

  1. Paula diz:

    Excelente artigo. Obrigada Filipa. Eu também passei horas agarrada à CNN, fiquei tal como tantos em todo o mundo super feliz com o resultado e comovi-me profundamente com o comentador que, perante as câmaras, chorou.

    Gostar

    1. filipafonsecasilva diz:

      Não foi a imprensa. Foram as comissões elietorais de todos o país. Não me diga que também acredita nas mentiras que Trump andou a espalhar durante semanas antes das eleições, quando já previa que ia perder, para descredibilizar os resultados?

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.