Going, going, gone…

O Banksy fez das dele. Outra vez. Mostrando por que é um dos artistas mais relevantes da actualidade.

Para quem não sabe Banksy começou por ser um “street artist” cuja verdadeira identidade ainda está por confirmar. Das paredes de várias cidades inglesas a sua obra, marcadamente irónica e provocadora, foi ganhando destaque e fãs por todo o mundo e as suas intervenções, como os quadros que colocou em quatro museus nova-iorquinos sem ninguém dar por isso, a pedra supostamente pré-histórica que deixou no Museu Britânico, a loja de animais que montou ou o parque de diversões que satirizava a Disneyland, são sempre notícia dentro e fora do mundo da arte.

Este fim-de-semana, não foi excepção e ficará para sempre recordado como o momento em que o artista destruiu a própria obra, segundos após esta ser arrematada por um milhão de libras no leilão da Sothebys.  (Podem ver o vídeo aqui.)

Porém, o que me faz admirar Banksy não é só o que ele faz, mas a mensagem que envia em cada uma destas partidas, designação dada pelos entendidos, como se ele fosse apenas uma criança rebelde que anda faz estas marotices para fazer rir os crescidos. Não, senhores crescidos do mundo snob da arte. Isto não são partidas, embora o vosso ego patético goste de acreditar que sim. Isto é a maneira de ele mostrar o desprezo que tem por vocês. De se rir da vossa prepotência, como já tinha feito com os quadros falsos que estiveram dias pendurados até alguém reparar. Porque ao contrário de Basquiat, que começou na rua mas aspirava a ser considerado um artista, Banksy não se podia estar mais a borrifar. Simplesmente porque não precisa de vocês. Alcançou a fama e conseguiu passar as suas mensagens completamente à margem do circuito hermético da arte. O que o torna o artista mais verdadeiro dos últimos tempos.

Este golpe do leilão não é mais do que uma forma de mostrar o quão ridículo é alguém querer comprar ou pretender vender street art.  Já compraram muros para colocar nas suas salas, já se degladiaram por peças que usou nas suas intervenções, e agora juntaram-se todos para comprar um desenho do famoso stencil que ele fez e colocou na rua. Porque para as pessoas que alimentam este mercado, os curadores, os colecionadores, os investidores, os galeristas, o que eles decidem que é bom vale dinheiro e o dinheiro pode comprar tudo. Pois agora fiquem com um poster em pedaços. (Se bem que tenho a certeza de que ainda vão valorizar mais a obra por estar destruída e pelo mediatismo que o episódio teve.)

Agora a sério. Parem de tentar comprar o que é criado para ser de todos. Não tentem levar a street art para dentro de quatro paredes. Não é aí que ela pertence. Não é aí que ela é necessária.

Obrigada, Banksy, por mais uma vez nos relembrares.

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