A minha rotina matinal começa com retirar os miúdos da cama, o que envolve alguma gritaria e eu a encarnar o Coelho Branco da Alice, sempre a olhar para o relógio e a dizer que vão chegar atrasados. Assim que eles saem de casa, para me acalmar e preparar para um novo e radioso dia, faço entre 15 a 30 minutos de Yoga e vou, então, tomar o pequeno-almoço descansada. Bom, mais ou menos, porque como sou masoquista, faço-o à frente da televisão a ver o telejornal, o que é tão estúpido quanto inevitável. Invariavelmente estrago todo o efeito relaxante que o Yoga me trouxe e começo a dizer mal de tudo, o que, muitas vezes, se traduz numa crónica como esta.
E qual a estupidez humana que me trouxe até aqui hoje? A indiferença perante o que está a acontecer ao planeta. Deram quatro notícias seguidas deveras preocupantes: mais uma alerta laranja na Europa devido ao calor (parece que ontem Espanha atingiu 60ºC à superfície do solo), um ciclone no sul do Brasil vindo do nada, um tornado no Canadá e cheias em Deli que já provocaram centenas de mortos e milhares de desalojados. Pumba! Toma, lá que já pequeno-almoçaste.
Bem sei que, enquanto indivíduos, a nossa acção para salvar o planeta é limitada e, enquanto portugueses, temos lutas mais prementes, mas espanta-me a indiferença de uns e a demagogia de outros, que se dizem preocupados, mas só se as medidas a tomar não interferirem com o seu estilo de vida.
Como é que as pessoas continuam as suas vidas como se nada disto estivesse a acontecer? A usar o caro, a trocar de telemóvel, a viajar de avião por tudo e por nada, a comprar água engarrafada, a deixar plástico na praia, a tomar banhos longos e produtos tóxicos nos cabelos, nas unhas, nas roupas, a olhar para mim com condescendência porque deixei de comer carne para diminuir a minha pegada ecológica… E os políticos que se deixam corromper pelos lobbys das petrolíferas, da aviação, da grande indústria, e temem aprovar as leias necessárias, difíceis e impopulares, como é que conseguem dormir à noite? Sou só eu que sofro de eco-ansiedade?
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Pronto. Era só isto. Tinha de deitar cá pra fora. Agora vou só ali enrolar-me em posição fetal e repetir um novo mantra: não vejas notícias; não vejas notícias; não vejas as notícias.
Namaste.
Está tudo bem.

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