As europeias dos pequeninos

2019-04-29-08.59.50.jpgAs eleições parlamentares europeias de 2019 realizar-se-ão em Portugal no dia 26 de Maio e terão como fim a escolha dos 21 deputados portugueses com assento no Parlamento Europeu. Mas olhando para as notícias ou para os cartazes de campanha dos vários partidos, ninguém diria. Aliás, a única coisa que alguém diria é que não há quem esteja minimamente interessado na Europa.

Para a maioria dos portugueses, a Europa é uma coisa abstrata, que só serve para podermos circular livremente sem passar pela chatice das fronteiras, para podermos usar a mesma moeda em quase todo o lado e receber uns fundos comunitários chorudos. As eleições não servem para nada, a não ser escolher qual dos políticos sortudos vai ter viagens grátis para Bruxelas e, por isso, apenas 17% estão a pensar ir às urnas no dia 26 (deprimente…). Para os partidos, é uma oportunidade para começarem já a fazer campanha para as legislativas que se aproximam. Sem um pingo de vergonha.

Numa altura em que assistimos à trapalhada do Brexit, em que temos a extrema-direita como 5ª partido aqui mesmo ao lado e no poder na Hungria, em que temos uma Malta com apenas 2 partidos e carta branca para lavagem de dinheiro, em que estamos a enfrentar a maior crise ambiental da história, em que não há resposta digna e séria para a crise dos refugiados, os nossos partidozecos espelham toda a sua mediocridade e andam a medir pilinhas para ver quem tem mais votos nas legislativas.

Não sei se seguem a Guerra dos Tronos, mas Portugal parece a Rainha Cersei, cuja única preocupação é manter-se a si e à sua família no poder, apesar dos alertas sobre a terrível ameaça dos Caminhantes Brancos. E aqui os Caminhantes Brancos são a crise climática e o populismo, que, se não forem travados imediatamente, nos matarão a todos, mesmo a quem se sente seguro no seu poleiro.

A série ainda não acabou e ninguém (além dos criadores e actores) sabe ao certo como vai acabar. Mas os heróis têm dragões, magia e a coragem de por de lado as rivalidades para enfrentarem juntos a maior ameaça de sempre. O problema é que por cá, não há heróis, nem sequer líderes que mereçam tal nome. Apenas gente de vistas muito curtas, que anda a invadir o espaço público com folhetos sobre passes metropolitanos e a lei de bases da saúde ao invés de apresentarem as suas ideias para a Europa e elucidarem os portugueses sobre a importância vital de nos mantermos unidos.

 

 

 

 

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