Sustentabilidade na Moda

screenshot 2019-01-14 at 12.38.27Numa altura em que a preservação do planeta está na ordem do dia, a indústria da moda, que tanto nos faz sonhar com toda a sua criatividade e glamour, está a tornar-se num pesadelo. O uso massivo de água, o tratamento químico dos materiais e o envio de artigos não vendidos para aterros ou para incineração, constituem um perigo ambiental de larga escala, num planeta em que a escassez de água potável começa a ser uma realidade e em que apenas 20% da roupa e do material usado no seu fabrico é reciclada ou reutilizada. Estima-se que só no Reino Unido 350,000 toneladas de roupa vão parar a aterros todos os anos e que 15% dos pesticidas usados em todo o mundo são aplicados na produção de algodão não–orgânico. Chegámos, portanto, a tempos em que a indústria é obrigada a reflectir sobre o seu futuro, que é também o de todos, continuando a crescer, sim, mas de uma forma responsável, criando valor para a sociedade. E é disso que falamos, quando falamos de sustentabilidade na moda.

Sustentabilidade é muito mais do que vestir a capa do ambientalista e usar materiais orgânicos não testados em animais. É aumentar o valor da produção local, prolongar o ciclo de vida dos materiais, apostar em peças intemporais, reduzir o desperdício e tornar os métodos de produção mais eficientes e menos poluentes. Além disso, é educar os consumidores para que tenham essas derivadas em mente quando compram artigos de moda, caminhando para o designado “consumidor verde”.
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O destaque que o tema tem vindo a ter nos meios especializados, pode fazê-lo parecer uma moda recente. No entanto, esta é uma preocupação que surgiu há quase trinta anos. Em 1992 o designer belga Martin Margiela foi pioneiro numa tendência que hoje é visível em toda a indústria, especialmente nas marcas de luxo. Na altura, apresentou uma colecção inteira feita a partir de lenços de seda vintage. Depois dessa seguiram-se outras em que primava pela reutilização dos mais diversos materiais, como cortinas de contas, capacetes de mota, blusões de cabedal e jóias partidas. John Galliano, hoje à frente da maison, deu continuidade a esse legado na colecção Outono/Inverno 2018. Também nos anos 90, a Patagonia , o maior retalhista de casual wear nos Estados Unidos começou a vender artigos feitos a partir de garrafas de refrigerante. E Stella McCartney fundou a sua marca em meados nos anos 90 assente no respeito pelos animais e pelo ambiente.

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Maison Margiela

Hoje, felizmente, não há marca que se preze que não esteja a fazer um esforço para figurar no índice de sustentabilidade da indústria, ou como se designa oficialmente, o DOW Jones Sustainability Index. Criado em 1999, o DJSI baseia-se na análise da performance económica, ambiental e social das marcas, levando em conta coisas como a gestão corporativa, o branding, o abrandamento do aquecimento global, as boas práticas em toda a cadeia de produção e as condições de trabalho. O índice é um indicador de referência para os investidores que incluem nos seus investimentos questões de sustentabilidade. A Burberry, por exemplo, lidera o mercado em marcas de luxo no DJSI e foi incluída pelo quarto ano consecutivo no sector “Têxtil, Vestuário e Artigos de Luxo”, o que reforça o compromisso da marca em direção às metas de responsabilidade social a atingir até 2022. Mas muitas outras marcas acompanham aquela que é já considerada a grande tendência para as próximas décadas.

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“The best thing I’ve ever said to save the planet and [ourselves] is: Buy less, dress up,” Vivienne Westwood na apresentação de colecção SS/2019
Os mais cépticos (ou cínicos) podem defender que não passam de manobras de relações públicas para responder às novas preocupações dos consumidores, cada vez mais exigentes e críticos. Mas a verdade é que, seja através de novas práticas de produção, do resgate de stocks de tecidos vintage ou criando fundações empenhadas em fazer mais pelo planeta e pelas comunidades onde se inserem, a sustentabilidade entrou finalmente na moda. E, ainda que com segundas intenções, estas marcas, ao menos, não estão de braços cruzados.

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