Autor: filipafonsecasilva
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Não deite papéis na sanita
Acontece amiúde, sobretudo nas casas de banho femininas, haver um aviso por cima do autoclismo a pedir que não se deitem papéis na sanita. Normalmente, tal sucede em cafés ou restaurantes de zonas antigas ou ribeirinhas, onde o escoamento é insuficiente e o risco de entupimento enorme. A solução é colocar o papel num balde…
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A máquina de calcular
Nunca gostei de matemática. Tudo o que ia para lá das operações básicas provocava-me um novelo no cérebro, e nunca tive um professor que me conseguisse convencer da utilidade de aquilo que me estava a ensinar. Frações, potências, equações de vários graus, funções, raízes quadradas e os algarismos a parecerem-se com aranhas revoltosas, espalhando-se pelas…
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Pela mudança do PNL
O meu filho começou a ler muito cedo e sempre foi um ávido leitor. Além das histórias que lhe contava ao deitar desde tenra idade, ele próprio ganhou o hábito de ler antes de dormir, e de pegar num livro em alternativa à televisão e aos aparelhos electrónicos. Do “Bando das Cavernas”, ao “Estranhão”, passando…
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Bio-têxteis: a Próxima Revolução Industrial
À medida que avançamos no século XXI, surgem novos desafios para a sociedade como a conhecemos, muitos dos quais relacionados com a sobrevivência num planeta com cada vez mais pessoas e cada vez menos recursos. Na última década, as inovações tecnológicas em diversas indústrias com vista à sua sustentabilidade têm sido imensas, mas numa delas…
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Schadenfreude
Finalmente tenho uma palavra para designar uma condição de que padeço há muito. Foi uma sensação de alívio perceber que, afinal, é bastante comum e que, a partir de agora, tenho um vocábulo para responder aos olhares de espanto dos outros. É que é muito difícil conviver com o que sentimos quando não sabemos designá-lo.…
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Pedro
Conhecemo-nos na noite anterior, por entre o grupo que se juntava no areal logo depois do jantar. Nunca te tinha visto por lá, porém, num organismo que cresce e encolhe à medida que o calendário avança, há sempre chegadas e partidas inesperadas. Trocámos muitos olhares e poucas palavras, até a noite se tornar demasiado fria…
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Só para mulheres
A minha irmã está a viajar pelo Japão e mandou-me uma fotografia perturbadora. Parece que no metro há carruagens só para mulheres. Isso mesmo, com letreiro e tudo, como nos tempos da segregação. Também no início do ano, quando eu estava a planear uma viagem à Costa Rica, deparei com um resort que oferecia uma…
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Selenofilia
Já ninguém quer ficar a ver a Lua. Erguer o queixo para se perder no infinito, pensamentos em gravidade zero, sem hora para regressar. Agora, à janela, num banco de jardim, no areal deserto, num carro em viagem, o brilho onde nos retemos vem de um pedaço de plástico, que nos impede de sonhar os…
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A normalização do ódio
Quando era pequena, ouvia muito a expressão “não se aponta que é feio”. Talvez porque, como qualquer criança, era muito curiosa e gostava de mostrar aos adultos que estavam comigo as coisas novas e diferentes que encontrava pelo caminho. Às vezes era um pato, outras uma joaninha, mas podia ser também um anão, uma senhora…
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poema
Talvez da tua boca se soltem destroçosde um tempo em que éramos felizes. Talvez um deles sirva para me susterneste naufrágio do que fomos e me impeça de morrer de ti.