Autor: filipafonsecasilva
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Um + um = caos
Escrevo esta crónica para todas aquelas que estão a pensar, a gerar ou a pegar pela primeira vez num segundo filho. E escrevo, mais uma vez, para vos alertar sobre aquelas pequenas coisas de quem ninguém fala. Porque as há e não são poucas. Tal como antes de termos o primeiro toda a gente nos…
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Esta crónica não é sobre a Grécia
Não gosto de falar de política. Os meus conhecimentos de História, de Economia, de Ciência Política são demasiado superficiais para me pôr aqui a analisar cenários e a tecer conclusões sobre o que se está a passar na Grécia e, consequentemente, na União Europeia. Sobretudo o como e o porquê. Toda a minha opinião sobre…
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Lamento
Depois de arrumar os carrinhos dentro da caixa dos brinquedos pela décima vez naquele dia, a mulher sentou-se na cadeira da cozinha a chorar. Não eram apenas lágrimas de saudade. Era raiva, era medo, era um aperto no coração, era não ter ninguém que a abraçasse e disse-se “pronto, já passou”, como ela fazia ao…
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A ciência do machismo
Quando se pensa num Prémio Nobel, pensa-se em alguém com uma inteligência superior. Alguém que trabalhou durante anos ou décadas em prol de algo que contribuiu para o avanço da humanidade, seja na área da medicina, da economia ou da literatura. Dificilmente se pensa numa pessoa preconceituosa e machista ao ponto de fazer declarações do…
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As borlas
Anda por aí uma moda contagiosa que se chama cravar trabalhos de borla. Vá, eu sei que não é novidade no mundo e que sempre houve e haverá chico-espertos que acham que vão encontrar quem faça isto ou aquilo recebendo quase nada. Quem tem um negócio próprio sabe bem que aparece sempre um amigo a…
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Para a Rita
Estou agoniada, literalmente enjoada. Apetece-me chorar contigo e abraçar-te, Rita. Consigo sentir a tua dor, a tua incredulidade, o teu desespero. Sei que não há maior sofrimento do que perder um filho, seja de que maneira for, mas há maneiras bem piores do que outras. Quando ontem vi o teu apelo nas redes sociais, abafado…
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Adeus de Eugénio de Andrade
Durante a investigação que estou a fazer para o meu próximo livro, dei de caras com este poema, guardado num dos meus inúmeros cadernos. Há muitos anos que não o lia, mas por mais anos que passem continua a ser das coisas mais bonitas que alguma vez alguém escreveu.Obrigada, Eugénio de Andrade, pelo legado incomparável…
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Do sofrimento
E se fosse por cá?E quando for por cá?Como será sair de casa de manhã para o trabalho e a última frase dita à pessoa que mais amamos ser qualquer coisa estúpida e banal como”não te esqueças de tirar os bifes para o jantar”? Ou deixar os miúdos na escola à pressa e não lhes…
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Deixamos de ter nome
O nome. Antropónimo. O nosso primeiro vínculo com o mundo. A confirmação da nossa existência. Parte inseparável da nossa identidade, tantas vezes influenciadora do carácter do denominado. Sim, o nome. Esse que deixa de existir a partir da concepção. Tudo começa nas consultas de obstetrícia. “Olá Mãe”, “sente-se aqui, Mãe”, “o seu livrinho, Mãe”, “está…
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Aos invejosos
Há uma história que se conta acerca das diferenças culturais entre americanos e portugueses. O americano vê o vizinho num carro novo e pensa: “Ena, tem um carro novo, deve ter trabalhado bem para isso”. Já o tuga, pensa: “olha, olha aquele chico-esperto com um carro novo, deve andar a traficar droga ou a roubar…