Mulher


 
 
Mulher,
não tenhas tento na língua,
não fiques à míngua,
usa sempre a tua voz.

Não sejas tão recatada.
Sempre em casa enfiada.
Vem prá rua,
junta-te a nós.
 
Somos irmãs na mesmas dores,
ensinadas para os lavores,
Vestidas de fragilidade.

Querem-nos de costas voltadas,
mas juntas somos danadas,
verdadeira sororidade.
 
Não ligues se te barram a entrada.
Por cada porta fechada,
há uma janela de amor.

Põe sempre o dedo na ferida.
Caminha de cabeça erguida
como quem sonha sem temor.
 
Mulher,
o teu corpo é um templo.
Tens de dar o exemplo,
há muito que enaltecer.

Não te compares à vizinha.
Aprende o prazer sozinha
e a estar só por prazer.
 
Não esbanjes os teus afagos
nem tenhas com os outros cuidados,
sem cuidares primeiro de ti.

Não fiques pela metade,
nem caias na ingenuidade
de dizer “eu já vivi”.
 
E se te disserem que não vale a pena,
que está na hora de saires de cena,
tu, por favor, não acredites.

Responde como uma rosa:
bela, altiva e espinhosa.
Mulher, tu nunca te fiques.