A mulher por detrás da parede

1º capítulo – O Grande Drama

Esta é a história de Estefânia Nascimento, contada pela própria, por sugestão da Madame Úrsula, cartomante de profissão, cansada que está de me deitar as cartas e não ver nada, mesmo usando quatro baralhos diferentes. Pelo que me explicou, a impossibilidade de vislumbrar o meu futuro, mesmo após uma tentativa de alinhamento dos chakras, não se deve à proximidade da minha morte, isso me garante, mas a alguma espécie de mágoa ou ressentimento que guardo bem fundo dentro de mim, criando uma névoa espessa naquilo que vê. Segundo ela, o meu futuro só se desenrolará quando eu conseguir libertar-me do passado. Até lá, as cartas só mostrarão o presente: eu, presa nesta ilha, sem absolutamente nada que fazer, coisa que até um cego conseguiria ver, mas pronto, também não posso hostilizar já a única pessoa que conheço neste lugar. Sugeriu que escrevesse a minha história, que percorresse com a memória todo o caminho que me trouxe até aqui. Diz que ajuda no processo de cura, seja lá o que isso for.

Pois bem, aqui estou eu, de caneta em punho, a sentir-me bastante patética, uma vez que não acredito em nada destas coisas de espíritos, tarô e energias, e não escrevia mais de duas ou três linhas desde o último texto que fiz na escola, mais precisamente para o exame nacional de Português, caracterize o estado de alma do sujeito poético expresso nos seis primeiros versos de «A Mensagem». Não faço ideia do que escrevi na altura, mas foi suficiente para terminar o décimo segundo ano com uma média bastante razoável, que me permitiu entrar na faculdade, feito inédito em toda a família, não que me tenha servido de grande coisa, mas enfim. Também não faço ideia por onde começar agora, no entanto, espero que o exercício sirva para, pelo menos, deixar de sentir esta bola que se formou no meu estômago, que por vezes se alastra aos pulmões e me impede de respirar, pese embora esteja rodeada do ar mais puro que pode haver.

Há vários pontos de partida possíveis para esta odisseia a que me lanço. Posso começar pelo dia em que o Artur comprou o apartamento, ou um pouco antes, quando nos conhecemos no escritório. Ou talvez seja melhor começar pelo princípio, lá bem atrás, na minha infância, até porque dizem que os grandes traumas que carregamos têm origem nos primeiros anos de vida, e, mesmo que eu não tenha grandes memórias desse tempo, existe efectivamente um acontecimento que mudou tudo.

A minha primeira infância foi mais ou menos normal, se considerarmos normal crescer a ouvir dizer que era um empecilho. Vivia com os meus pais e duas irmãs mais velhas, que já tinham dez e doze anos quando eu nasci, e que não me ligavam nenhuma, pelo que, quando recordo esses tempos, vejo-me sempre no chão a brincar sozinha. Ainda assim, penso que era de certa forma feliz, ali, naquela casa cheia de gente, apesar das constantes discussões, ora entre os meus pais, ora entre as minhas irmãs, ora entre todos eles. Aliás, nas raras vezes em que olho para as fotografias que resistem desse período, parece que pertencem a outra pessoa, alguém que, algures no tempo, teve uma família de verdade.

Gosto particularmente de uma delas. Estou ao colo do meu pai. Ele, sentado numa cadeira de esplanada, com um cigarro a despontar por entre o farto bigode que me fazia cócegas quando me beijava o rosto, olhava para a câmara com um sorriso meio jocoso. Eu, com quatro ou cinco anos, cabelo à tigela e camisa com rebordo folhado na gola, que me dava um ar de pierrô, olhava para ele com um sorriso de admiração. Não me lembro de nada desse dia, nem onde estávamos, nem com quem. Porém, é a única fotografia que tenho com o meu pai, só nós os dois, numa cumplicidade que nem as trombas da minha mãe poderiam desfazer. Nas raras fotografias que tenho com ela, está sempre de braços cruzados e com um ar de quem está a prestes a dizer ao fotógrafo despacha-te com essa merda, que tenho mais que fazer. Hoje sei que o Grande Drama teve mais que ver com ela do que comigo, embora toda a vida ela tenha insistido no contrário.

Era Primavera. As árvores cobriam-se de verde, as flores brotavam de cada pedaço de terra, e os pássaros chilreavam numa alegria excessiva. Eu[DG1] [fs2]  tinha acabado de sair das aulas e estava ansiosa por chegar a casa, onde, àquela hora, tinha a televisão só para mim, coisa rara. Estava a dar o meu máximo para ganhar a corrida que vinha a disputar com o Pirata e o Quindim, os meus amigos imaginários, já de si injusta porque o Pirata viajava no seu galeão dourado e o Quindim conseguia voar. Corria alegremente, dando ordem de galope ao meu cavalo, cumprimentando todos os rostos familiares com quem me cruzava naquele percurso habitual, despreocupada como qualquer criança de oito anos, mesmo se acaso vive nas trincheiras de uma eterna batalha conjugal. Ao dobrar a esquina, notei que as vizinhas se acotovelavam à porta do meu prédio, tentando proteger-se dos mais variados objectos que estavam a ser arremessados pela janela do segundo andar: roupas, discos, sapatos, bibelôs… Aproximei-me devagar, como se estivesse a assistir a uma cena de um filme que não podia interromper. Tudo se movia em câmara lenta.

As vizinhas pareciam estar a falar de mim, ou pelo menos o meu nome desenhava-se nas suas bocas, enquanto abanavam a cabeça e se benziam, entre exclamados valha-me Deus. Fiquei suspensa, imóvel, os olhos fixos naquela janela que era a minha, até que a Alda me tirou do meu torpor sugerindo, com um enorme sorriso, que fôssemos comer um gelado de morango. Assenti, tentando ignorar o enorme aperto no coração, e deixando que ela me encaminhasse até ao prédio do lado. Fui eu que o fiz, sabes?, disse-me ela. Tenho uma máquina de fazer gelados e funciona que é uma maravilha. Às vezes ficam um bocadinho líquidos, mas este saiu na perfeição. Eu sorria, porque não queria que ela achasse que eu era mal-educada, mas não conseguia parar de tentar adivinhar o que teria acontecido. Porque é que a Alda me levara para sua casa? Porque é que tantos objetos continuavam a cair da janela da minha sala? Será que a minha mãe se ia zangar comigo, por não ter ido directa da escola para casa? Lembro-me bem dessas perguntas todas a enrolarem-se no meu cérebro como enguias, mas não verbalizei nenhuma delas. Enquanto nos afastávamos da confusão, as vizinhas continuavam a cochichar e olhavam-me com pena. Aquele tipo de olhar envergonhava-me, como se estivessem a julgar-me, logo a mim, que não tinha feito nada. Logo a mim, que apenas tinha chegado da escola, como todos os dias. Olhei para baixo e apertei com força a mão da Alda. Os incontáveis objectos a estilhaçarem-se no chão atrás de nós.

A casa da Alda era, no mínimo, excêntrica, excepto aos olhos de uma menina de oito anos que falava com seres imaginários e que, naquela altura, nunca ouvira tal palavra. Mal abríamos a porta, deparávamos com um grande hall, onde havia duas cadeiras de espaldar alto e assento em veludo verde encimadas por um espelho com moldura em talha dourada, como o da bruxa da Branca de Neve. Uma cortina preta com estrelas, luas e arabescos bordados a fio prateado, pendia do arco que separava o hall da sala, onde, além de um grande sofá vermelho, havia uma mesa baixa com muitas revistas de capas lustrosas. As paredes estavam pintadas de cor-de-laranja, e do tecto pendia um lustre de cristal em cujos braços se formavam pequenas teias de aranha. Devia ser mesmo muito antigo. Ocupando a totalidade da parede do fundo, estava uma enorme estante em pau-preto trabalhado, onde aos livros de capa dura e lombadas grossas se juntavam os mais singulares objectos, tais como uma colecção de gnomos de loiça, santos de variados tamanhos, punhais com cabo de prata trabalhado, e até uma fonte falsa de onde soava um rio a correr e emanavam luzes às cores, que se espalhavam por todo o espaço. Na parede oposta, um relógio antigo e vários ramos de flores secas pendurados de pernas para baixo. Não sei porque estou a descrever a casa da Alda com tamanho detalhe, que ainda por cima, não acrescenta nada à história, mas quarenta anos depois lembro-me dela como se lá tivesse estado ontem, tal foi o impacto e o fascínio que me provocou.

Da sala passámos para a cozinha, menos atulhada, mas ainda assim cheia de tralha (loiça, panelas, utensílios, frascos de especiarias e latas de chá garridas) e que cheirava a comida de gato, o que não era de admirar, já que a Alda tinha três, que me olhavam muito sérios desde que eu tinha posto um pé na casa. Um preto, um laranja riscado e outro branco malhado. Lembro-me de estar cheia de vontade de agarrá-los e apertá-los como peluches, embora me tivesse contido, temerosa dos seus olhares penetrantes. O meu sonho sempre fora ter um gato, mas o mais perto de um animal de estimação que os meus pais me deixaram ter foi um peixe vermelho e estúpido, que viveu durante seis meses num aquário do tamanho de uma tigela de sopa e que morreu de congestão, porque eu alimentava-o quatro vezes por dia. Estúpida da miúda que nem de um peixe sabe tratar, disse a minha mãe despejando o Moby Dick pela sanita abaixo, enquanto eu fazia força para segurar as lágrimas, abrindo muito os olhos e cravando as unhas nas palmas das mãos.

Senta-te, pequenina, pediu a Alda, com gentileza. Vou já preparar o teu gelado. Obedeci, aninhando-me num banco de cozinha perto da janela, fascinada com o cenário que me rodeava e com os gatos, que me cheiravam com curiosidade e se roçavam nas minhas pernas, malgrado se afastassem assim que eu fazia tenção de os afagar. A Alda estendeu-me uma taça com duas bolas cor-de-rosa, que comi devagarinho, saboreando cada colherada, enquanto ela me observava com um sorriso. Não sei se esperava que eu dissesse alguma coisa, além de obrigada, mas mantive-me calada, com os olhos cravados no gelado. Depois de devorar a guloseima até à última colherada, perguntei se já podia ir para casa. A Alda suspirou, olhou pela janela à procura das palavras certas, e sentou-me no seu colo. Vou contar-te uma história, começou. A história era muito bonita, cheia de eufemismos e metáforas típicas dos contos de fadas, mas basicamente o que a Alda me queria dizer era que o meu pai tinha saído de casa, de armas e bagagens, que provavelmente não voltaria a vê-lo tão cedo, e que a minha mãe claramente não estava a saber lidar com o sucedido. Tinha estado toda a tarde a atirar coisas pela janela e a gritar numa língua que ninguém percebia. Perante isto, as vizinhas juntaram-se e decidiram que o melhor era eu e a minha irmã do meio ficarmos em casa de alguém até a coisa acalmar. (A mais velha tinha vinte anos e já nem sequer vivia connosco.) A Alda foi a única vizinha a oferecer-se para nos acolher.

Quando, ao fim da tarde, a minha irmã chegou da escola, não conseguiu esconder a raiva perante a situação, se bem que, naquela altura, ela tivesse raiva de tudo. Acedeu a jantar comigo na casa da Alda, onde não abriu a boca uma única vez, excepto no final, quando disse que tinha quase dezoito anos e que não precisava de uma ama seca. Depois, saiu intempestivamente em direcção à nossa casa, ignorando o caos provocado pela nossa mãe, trancando-se no quarto até à manhã seguinte. A Alda encolheu os ombros e eu disse-lhe que não se preocupasse, que a Tânia estava habituada a fazer só o que lhe apetecia e tinha muitos segredos. Tinha namorados, fumava às escondidas e, uma vez, cheguei a encontrar miniaturas de álcool na sua mochila da escola, mas nunca disse nada a ninguém. Provei uma de uísque e pensei que ia morrer, à medida que o ardor se espalhava da boca para a garganta e depois para o estômago. A Tânia vestia-se como uma prostituta, segundo as vizinhas, claro, que eu à data não sabia o que era uma, e andava sempre com a malta da pesada do liceu, isto é, os que fumavam e faltavam às aulas. Não gostava de pessoas em geral e de mim em particular, coisa que se mantém até aos dias de hoje. Talvez porque eu lhe tenha roubado o lugar de bebé da família, não faço ideia, nunca lhe perguntei. Aceitei o seu desprezo como tantas outras coisas.

Quanto à nossa irmã mais velha, como já vivia com o namorado na casa dos pais dele, quando a Alda lhe telefonou a contar o sucedido, apenas disse que eu não era responsabilidade dela e que não tinha condições para tomar conta de mim. Lembro-me de ter ficado aliviada, porque não gostava nada do namorado dela, desde o dia em que entrei no quarto que as minhas irmãs na altura partilhavam, e o encontrei deitado na cama. Começou a olhar para mim com um sorriso sinistro e depois disse que tinha uma coisa para me mostrar. Quando olhei, tinha posto a pila de fora. A sorte foi que a minha irmã entrou naquele instante e disse ´tás parvo ou quê?, e depois expulsou-me com brusquidão, como se eu tivesse feito algo de errado. Não fiquei chocada pelo gesto em si, embora tenha vindo de um tipo que, na altura, já teria uns vinte anos, e hoje sei que poderia ter sido acusado de importunação sexual a menor. O que me chocou foi ver uma pila tão grande e peluda. Como o meu pai nunca se despiu à nossa frente, até então, só tinha visto as pilinhas dos miúdos do bairro, quando faziam chichi na rua, e também as dos Nenucos. Achava estranho que os homens conseguissem andar com um bocado de carne assim pendurado entre as pernas, mas por outro lado, era o que justificava que andassem sempre a mexer naquilo, incluindo o professor de ginástica, que nem sequer disfarçava.

Bom, mas adiante. Fiquei a dormir na casa da Alda e, no dia seguinte, foi ela quem me foi levar à escola. Eu já fazia o percurso sozinha desde o início daquele ano lectivo, e estava a adorar a minha independência, mas naquele momento, ao vê-la ao portão, fiquei aliviada e inchada de vaidade. Quando a minha mãe me ia buscar, estava sempre vestida às três pancadas e com uma mola de plástico no cabelo (acho que é por isso que ainda hoje detesto molas de plástico). Encostava-se ao muro a fumar, e cumprimentava-me friamente, sem nunca descruzar os braços, enquanto as outras mães se mostravam efusivas por abraçar os seus rebentos. A cena era tão deprimente que acabei por pedir que me deixasse ir sozinha para casa. Finalmente! Agora vê lá se não te metes debaixo de um carro ou coisa assim, foi a resposta.A Alda, pelo contrário, no auge dos seus cinquenta anos, tinha sempre o cabelo arranjado, usava vestidos com padrões exóticos, sapatos de salto alto, pintava os lábios e tinha um andar bamboleante. Os meus colegas ficaram todos de boca aberta. Não estavam habituados a ver alguém tão espampanante, como uma diva da novela da noite, e logo para ir buscar a miúda mais sem sal da escola, isto é, eu. Durante uns tempos gozei de alguns olhares de admiração.

Ao contrário do que eu esperava, nesse dia a Alda levou-me de novo para casa dela, e no quarto onde eu dormira na véspera, encontrei as minhas coisas: roupas, sapatos, o peluche com que eu dormia. São só mais uns dias, minha querida, até a mamã ficar melhor, está bem?Assenti numa mistura de surpresa e alegria. É claro que estava um bocado preocupada com a minha mãe, mas também estava a adorar cada minuto passado com a Alda, especialmente porque ela era a única pessoa no mundo que não me tratava como um ser indesejado e intelectualmente atrasado. E porque na casa dela tinha um quarto a sério só para mim, com uma janela com cortinas floridas e uma cama de ferro com uma colcha a condizer, em vez do colchão demasiado pequeno colocado no chão de um minúsculo quarto interior, onde eu dormia com a porta aberta para não ficar sem ar. A decisão de fazer daquele arrumo o meu quarto prendeu-se com o facto de não caber nem mais um alfinete no exíguo quarto das minhas irmãs. Mais tarde, quando a Vânia saiu de casa, a Tânia não quis partilhá-lo comigo, dada a nossa diferença de idades, e eu continuei a dormir ali. O meu pai ainda tentou atenuar o aspecto do lugar, pintando as paredes de cor-de-rosa e colocando numa das paredes duas prateleiras em forma de nuvem, esculpidas por ele em madeira, onde eu expunha a minha colecção de bonecas já com três vidas de uso, mas que podia chamar de minhas, fazendo-me esquecer que aquilo era uma espécie de arrecadação. Por dormir de porta aberta é que eu ouvia sempre as discussões.

Eh pá, és chata como a merda, foda-se, um gajo trabalha o dia todo e depois chega a casa e ainda tem de te aturar? E a minha mãe, no seu tom glaciar (o único que lhe conheci): eu também trabalho o dia todo, ó seu merdas, e ainda tenho de me preocupar com elas, ou achas que o que trazes chega para tudo? Se passasses menos tempo na taberna e mais em casa, talvez chegasse… E ele: eu passo mais tempo na taberna do que aqui para não ter de olhar para essa fuça, chata do caralho. E se não te calas, é para lá que volto! E eu tapava a cabeça com a almofada e dizia às minhas bonecas para não se preocuparem, que os adultos eram mesmo assim, sempre a gritar uns com os outros.

Vivi com a Alda precisamente vinte e três dias, até a minha mãe bater à porta e, sem sequer nos cumprimentar, lançar um olha lá, quando é que estás a pensar em ir pra casa?,mandando-me depois arrumar as minhas coisas. Enquanto coloquei tudo em duas mochilas velhas, elas foram conversar para a cozinha.Ouvi a minha mãe dizer que já estava bem, que ia começar a trabalhar na segunda-feira seguinte, e que não precisava de mais ajuda nem intromissões. Foi a andar à minha frente, sem sequer me ajudar com as mochilas e, quando chegámos à nossa casa, que mais parecia ter sido assaltada, disse-me que havia leite e pão no frigorífico, caso eu tivesse fome, trancando-se de seguida no quarto. Na manhã seguinte, tive medo de entrar no quarto dela, e ainda mais medo de entrar no quarto da Tânia, pelo que, cuidei de mim sozinha, voltei a comer leite e duas torradas, e deixei um recado na mesa da cozinha. Bom dia, mamã, fui para a escola. Chego às 5. Até logo. Quando regressei, ela estava sentada no sofá a fumar e mal olhou para mim. Assim que anoiteceu, fritou dois ovos, cozeu umas massas e disse-me para comer quando me apetecesse. Trancou-se outra vez no quarto. Durante uns tempos, essa passou a ser a sua rotina. Durante uns tempos senti saudades de quando passava a vida a insultar-me. Os insultos doíam menos do que a minha solidão.

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