Entretanto, na Turquia

Tenho amigos turcos, que me pediram ajuda para divulgar o que se passa no seu país. Amigos que têm amigos que foram hospitalizados devido a brutalidade policial, ainda mais inacreditável quando se sabe que o protesto começou para salvar um parque. Estudantes, famílias, velhos e crianças, que queriam evitar que num lugar cheio de árvores centenárias se construísse mais um centro comercial.
A violência policial provocou outros protestos, ignorados pela imprensa turca, que em poucos dias se espalharam pelas principais cidades do país. O primeiro Ministro diz que são extremistas da oposição, a aproveitarem-se da situação. O mesmo Primeiro Ministro que, desde que está no poder, começou a impor leis de cariz pouco democrático, como proibir as hospedeiras da companhia aérea estatal de usar batôm vermelho, por exemplo.
Mas ainda que não tivesse amigos turcos, há coisas que não podem deixar de ser partilhadas. Sobretudo porque um dia (e, por este andar, pode não estar assim tão longe) podemos ser nós a precisar que os outros nos ajudem a recuperar a nossa liberdade. A liberdade de expressão, a liberdade de protesto, a liberdade de escolha.
Não fechem os olhos, por favor.

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