30 anos MTV

Hoje a MTV faz 30 anos. Sendo os 30 considerados os novos 20, estas deviam ser boas notícias para a MTV. Só que infelizmente, há quem envelheça mal.
A minha primeira recordação a MTV é de cerca de 1985. O meu pai tinha um bar e esse bar tinha uma parabólica que passava a MTV quase todo o dia. Passei, portanto, muitas tardes da minha infância a ver videoclips que me deixavam colada à tela do retroprojector e que foram parte importante da minha educação musical e artística. Os que melhor recordo, ou pelo menos os que na altura tiveram maior impacto no olhar de uma criança de 6 anos, são o “Sledgehammer” do Peter Gabriel, o “Dancing in the Street” de Bowie e Jagger, o “Walk this Way” dos Run DMC e Aerosmith e, claro, o “Like a Virgin” da Madonna. Depois desse primeiro impacto, continuei viciada na MTV, sobretudo quando, por volta de 87 ou 88, tivemos uma parabólica em casa. Quando não estava a ver desenhos animados ou séries míticas como o MacGyver e o Justiceiro, mergulhava no maravilhoso mundo dos videoclips do Michael Jackson, dos sapos do Paul McCartney e, ainda e sempre, da Madonna. Claro que já na altura havia muita coisinha má a passar pela MTV (relembro que estamos a falar dos anos 80), mas ainda assim o canal era exactamente o que afirmava ser: Music Television.
Nos início dos anos 90 a MTV continuou fiel a si própria: 90% da programação era música e boa. Posso agradecer-lhe a minha paixão pelos U2, que descobri em 1991 graças ao videoclip do “Even Better than the real thing” e depois do “Misterious Ways”, e pelo grunge. Impossivel cansar-me do “Smells like Teen Spirit”, do “Jeremy”, do” Black Hole Sun”. No meu quarto de adolescente a MTV estava sempre a dar e era aí que procurava novas bandas e sonoridades.
Só que, de repente, chegámos ao século XXI e à era da Internet. Foi a morte do artista. Em vez de continuar com o espírito cool e rebelde da sua adolescência, a MTV transformou-se num jovem adulto à procura do primeiro emprego: muito certinho, arrumadinho e politicamente correcto, mas sem nada de interessante para dizer. Quando percebeu que também não era assim que ia lá, decidiu tornar-se um adulto histérico, comercial e desesperado. A lembrar aquelas mulheres de quase 30 anos que acham que vão ficar para tias e então decidem por umas mamas de silicone e atirar a tudo o que mexe. Vendeu-se às gandes editoras, que só promovem divas semi nuas e rappers indistintos, e tentou conquistar novos públicos com reality shows deprimentes que incluem títulos como “Grávida aos 16”. Os seus públicos originais, esses, há muito que desistiram dela. E é assim que hoje, no seu trigésimo aniversário, o que eu desejo é que a MTV acabe e não nos envergonhe mais. Porque quando não se sabe envelhecer, mas vale sair de cena.

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